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COVID-19 e VIH: impacto, desafios e soluções

COVID-19 e VIH: impacto, desafios e soluções

Atendendo ao impacto da COVID-19 nos cuidados de saúde, particularmente no acompanhamento dos doentes com infeção VIH, o Congresso HIV Glasgow 2020 dedicou várias sessões à pandemia e aos desafios que a mesma colocou nesta área. A Dr.ª Mafalda Guimarães, da Unidade Funcional de VIH/SIDA do Hospital de Cascais, acompanhou os vários momentos e, em entrevista à News Farma, sumarizou as ideias-chave partilhadas.

“A infeção por SARS-CoV-2 mudou a vida de todos nós e mudou também o formato de realização do Congresso”, refere a especialista, começando por mencionar a sessão “COVID-19: Where are We Now and What Next?”, palestrada pela Prof.ª Doutora Karine Lacombe, de Paris (França), que descreve como “elucidativa e sistemática sobre esta nova infeção”, na qual foram abordados temas como a "estrutura do vírus, a fisiopatologia básica, a apresentação clínica da doença e sua história natural”. No que diz respeito ao tratamento, foram também apresentados “os estudos mais importantes sobre fármacos, como a hidroxicloroquina, o lopinavir, a dexametasona, o remdesivir e o tocilizumab". Foi ainda foi discutido o tratamento de suporte com a oxigenoterapia, hipocoagulação e a experiência na utilização do plasma convalescente. Ainda assim, “faltam muitos estudos”, particularmente com “a utilização conjunta de dexametasona e do remdesivir”, aponta a médica.

Na sessão “COVID-19: Challenges and Lessons Learned. Country Perspectives” foram apresentadas as experiências de combate à pandemia de seis países: Coreia do Sul,  Itália, EUA, Espanha, África do Sul e Brasil. “Apesar de serem países muito diferentes, foram atingidos por este vírus de formas diferentes e, por isso, tiveram também respostas diferentes pelas próprias contingências”. No entanto, houve uma mensagem comum partilhada entre os pares: “É necessária uma cooperação global, entre profissionais, autoridades e sociedade civil”.

Relativamente à relação entre o VIH e a COVID-19, tal como afirma a especialista, “já sabemos muito mais sobre esta nova infeção do que no início”, no entanto, há uma preocupação comum entre a comunidade médica: “Se a infeção VIH tem risco acrescido para a aquisição da COVID-19 ou se estes doentes têm o risco de ter esta doença mais grave”. A especialista indica que “a imunodepressão poderia ser um dos fatores de risco", contudo, a evidência científica demonstra que os doentes com infeção VIH "não apresentam um risco acrescido para a COVID-19", Ainda assim, reforça, "é preciso que os doentes estejam sob terapêutica antirretroviral e controlados imunologicamente”. Sobre estes dados, a médica exemplifica dois trabalhos portugueses submetidos neste Congresso – um do Centro Hospitalar do São João e o outro do Centro Hospitalar Lisboa Central – que vão ao encontro destas conclusões.

A COVID-19 teve impacto no seguimento dos doentes com VIH, principalmente na meta 90-90-90, na qual não se pretende diagnosticar 90% da população, objetivo referente ao primeiro 90, que foi afetado pelo período de confinamento em que se reduziu o rastreio ao VIH. O segundo 90 – objetivo de tratar 90% dos doentes – também foi impactado, uma vez que a pandemia tornou-se a prioridade nos cuidados de saúde, tendo parado as consultas e dificultado o acesso à medicação.

quarta-feira, 07 outubro 2020 17:38
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