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Envelhecimento e cancro na população infetada pelo VIH

Envelhecimento e cancro na população infetada pelo VIH

Após assistir a uma sessão, que decorreu no dia 5 de outubro, subordinada ao tema “Ageing, Paediatrics And Cancer”, a Dr.ª Cristina Teotónio, médica da Consulta de Imunodepressão/VIH do Centro Hospitalar do Oeste (Unidade de Caldas da Rainha), apresentou uma síntese das principais mensagens que foram transmitidas pelos palestrantes, focando a sua análise no envelhecimento e na prevalência de doença oncológica em pessoas que vivem com o VIH.

“A população de doentes infetados pelo VIH, graças aos avanços da terapêutica antirretroviral, vai envelhecendo, mas este processo de envelhecimento acontece de forma mais acelerada dada a associação do VIH a um processo de inflamação crónica”, começou por assinalar a Dr.ª Cristina Teotónio, médica da Consulta de Imunodepressão/VIH do Centro Hospitalar do Oeste (Unidade de Caldas da Rainha), na sequência de uma sessão, decorrida no dia 5 de outubro (primeiro dia de trabalhos do HIV Glasgow), subordinada ao tema “Ageing, Paediatrics And Cancer”.

Ressalva ainda que “paralelamente ao envelhecimento da população com VIH, surgem, comorbilidades associadas, que colocam alguns desafios a quem trata estes doentes”. A este propósito, e em linha com as mensagens que foram transmitidas durante a sessão “Ageing, Paediatrics And Cancer”, a Dr.ª Cristina Teotónio defende “a intervenção de uma equipa multidisciplinar na abordagem dos doentes, com a colaboração de várias especialidades médicas, nomeadamente Cardiologia, Nefrologia e, inclusive, Oncologia, entre outras”.

Durante esta sessão, e relativamente ao cancro, foi apresentada uma previsão das neoplasias associadas ao VIH que serão mais frequentes em 2030, tendo sido salientado que “a próstata, o pulmão e o fígado serão, à partida, os órgãos mais afetados”. Por este motivo, defende-se a definição de programas de rastreio oncológico dirigido especificamente para a esta população de doentes”. “Algumas doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente o vírus do Papiloma Humano (HPV), estão geralmente associadas a carcinomas do canal anal e do colo do útero. Assim, é importante o rastreio destas entidades nas pessoas que vivem com VIH e esse plano deve ser integrado em consultas de carater multidisciplinar em que o doente é abordado numa vertente integrada e holística, nomeadamente o screening do cancro do colo do útero, do canal anal, do fígado, do pulmão e da pele.”

Relativamente às neoplasias cutâneas, a Dr.ª Cristina Teotónio mencionou que “estão descritos casos de síndromes de Kaposi em doentes com bom status imunológico e com cargas virais indetetáveis”. É por esta razão que se defende “a implementação de um rastreio da pele com uma periodicidade anual”.

Nesta sessão, foi ainda salientada “a necessidade de instituir programas de cessação tabágica e de alteração do estilo de vida”. Conforme foi referido, “os hábitos tabágicos e um menor controlo virológico estão associados a um maior risco de desenvolvimento de neoplasias”. Foi ainda apresentado um estudo que mostrou que, face a um diagnóstico de doença oncológica, “a percentagem de oncologistas que pede um teste de VIH era reduzida”. Porém, a Dr.ª Cristina Teotónio considera que “todas as oportunidades, incluindo a altura de um diagnóstico do foro oncológico serão uma janela de oportunidade para o diagnóstico de VIH”.

Por outro lado, é necessário “redobrar a atenção para a potencial ocorrência de interações medicamentosas entre os fármacos, sobretudo utilizados em esquemas de quimioterapia e a terapêutica antirretrovírica”. Nestes casos, “poderá haver necessidade de ajuste da terapêutica antirretrovírica em função do tratamento de quimioterapia e não o oposto”.

Por último, a Dr.ª Cristina Teotónio recorda que, perante “o aumento da sobrevida dos doentes infetados pelo VIH (uma patologia crónica)”, irão “surgir comorbilidades e patologias próprias do envelhecimento”. Por esta razão, “é necessário adotar uma abordagem holística do doente, considerando a hipertensão, a diabetes, a dislipidemia, as doenças cardiovasculares ou oncológicas como patologias que coabitam com o VIH”. “Temos de capacitar as consultas – onde são seguidas as pessoas que vivem com VIH – com profissionais de várias áreas. É necessária esta integração para que abordagem destes doentes seja feita no seu todo, evitando o seguimento em múltiplas consultas, com os inconvenientes, mormente de adesão às mesmas que tal acarretaria.”

quinta-feira, 08 outubro 2020 17:44
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