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Mudança de paradigma no tratamento dos doentes infetados pelo VIH

Mudança de paradigma no tratamento dos doentes infetados pelo VIH

Desafiada a comentar os pontos altos do HIV Glasgow 2020, a Dr.ª Luísa Azevedo, internista no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, selecionou alguns estudos, cujos resultados mais recentes foram partilhados durante esta reunião científica. A especialista destacou "o painel dedicado às novas abordagens da terapêutica antirretrovírica em que foram focados, essencialmente, os regimes de biterapia, os fármacos de longa ação e os novos compostos que estão atualmente em desenvolvimento”. Assista à entrevista em vídeo.

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Especificando os esquemas de biterapia, a Dr.ª Luísa Azevedo apontou a sessão proferida pelo Prof. Doutor Pedro Cahn – “Two-drug regimens” -, na qual foram apresentados vários estudos, nomeadamente com os esquemas de biterapia com os inibidores de protease, os quais serviram de base para futuros ensaios clínicos que viriam a ser realizados. Muitos destes estudos com regimes de dois fármacos foram desenhados com o objetivo de avaliar a eficácia e segurança desta estratégia por parte de uma população que os clínicos vão acompanhando regularmente em consulta: envelhecida e, consequentemente, com múltiplas comormobilidades e polimedicada”. Neste caso, tal como refere a médica, existe o interesse de uma terapêutica, que, sendo crónica, “deve ter o menor número de substâncias ativas que tenham um menor potencial de interações medicamentosas”.

Relativamente ao estudo GEMINI 1 & 2 (neste congresso foram apresentados os resultados às 144 semanas), a especialista destaca a “grande robustez desta pauta terapêutica, nomeadamente em termos de não-inferioridade relativamente à terapêutica clássica tripla”. “Estes dados têm implicações na mudança das recomendações", afirma, dando o exemplo da "biterapia com dolutegravir/lamivudina, atualmente recomendado como primeira linha”.

Posteriormente, a apresentação da Prof.ª Doutora Marta Boffito abordou a introdução dos fármacos injetáveis de longa ação - cabotegravir com rilpivirina – através dos estudos ATLAS e FLAIR. “Temos também mais dados às 96 semanas, que mostram não só a não inferioridade destes fármacos e grande tolerabilidade, mas também o interesse dos doentes em manter-se numa pauta de injetáveis e, ainda, fazer o switch para injetáveis”, explica a especialista, salientando a importância destes agentes, “também pelo interesse que os doentes mostram pela terapêutica injetável nas consultas”, que representam “uma mudança no paradigma vs. terapêutica oral de administração diária”.

segunda-feira, 19 outubro 2020 17:06
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