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“A evidência atual sugere que a infeção por VIH não representa maior risco de ser infetado pela SARS-CoV-2”

“A evidência atual sugere que a infeção por VIH não representa maior risco de ser infetado pela SARS-CoV-2”

“Characterization of PLWH with COVID-19 in a tertiary care reference centre for Emerging Infectious Diseases in Portugal” é o título do e-poster, trazido ao Congresso HIV Glasgow 2020 por uma equipa do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ), no Porto. Em declarações à News Farma, o Dr. Cláudio Silva, médico interno de doenças infecciosas no CHUSJ e autor deste e-poster, apresentou as conclusões deste trabalho que procurou caracterizar a população de doentes simultaneamente infetados pelo VIH/SIDA e pela SARS-CoV-2.

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De acordo com o Dr. Cláudio Silva, médico interno de doenças infecciosas no CHUSJ, “existem alguns fatores de risco que estão associados a uma maior mortalidade por COVID-19, nomeadamente, a idade, o género masculino, a diabetes, a doença cardiovascular e pulmonar, a doença renal crónica e neoplasia ativa”. Por outro lado, e à luz da evidência atual, os dados sugerem que “a infeção por VIH não coloca o doente em maior risco de ser infetado pela SARS-CoV-2, nem de ter um curso mais grave de COVID-19”.

No trabalho “Characterization of PLWH with Covid-19 in a tertiary care reference centre for Emerging Infectious Diseases in Portugal”, a equipa do CHUSJ procurou caracterizar – dentro da população de doentes infetados pela COVID-19 – aqueles que estavam simultaneamente infetados pelo VIH. “De um total de 2092 doentes seguidos no CHUSJ, de 2 de março a 14 de julho, oito estavam infetados pelo VIH. Todos os doentes estavam sob terapêutica antirretrovírica à data do diagnóstico por COVID-19: dois destes doentes estavam medicados com esquemas antirretrovíricos baseados em inibidores da protease, nomeadamente, com darunavir/ritonavir, e dois estavam medicados com tenofovir alafenamida.”

Conforme esclareceu o Dr. Cláudio Silva, “a mediana de linfócitos CD4+ era de 626 células/mm3”, havendo um doente com linfócitos CD4+ abaixo das 200 células/mm3. “Além da contagem de células CD4+ baixa (14 células/mm3), este doente, com infeção por VIH-2, era o único não virologicamente suprimido, apresentando uma carga vírica de 6870 cópias/mL. Para além da infeção por VIH-2, este doente de 67 anos tinha múltiplas comorbilidades, sendo inclusivamente diagnosticado por SARS-CoV-2 no decurso de um internamento por candidemia.”

Por último, e em conclusão, o Dr. Cláudio Silva indicou que os doentes infetados pelo VIH constituíram menos de 0,5% dos doentes com COVID-19, na coorte que incluiu um total de 2092 infetados com SARS-CoV-2. "Doentes com esquemas terapêuticos para a infeção por VIH, nomeadamente inibidores da protease e tenofovir, parecem também estar em risco de serem infetados por COVID-19. Não existe nenhuma evidência de que regimes de tratamento para a infeção por VIH com tenofovir ou inibidores da protease, nomeadamente, darunavir/r ou lopinavir/r, sejam fatores protetores para a COVID-19”, assinalou o Dr. Cláudio Silva.

segunda-feira, 05 outubro 2020 16:23
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