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O papel da relação CD4/CD8 na evolução das doenças cardiovasculares nas pessoas infetadas por VIH

O papel da relação CD4/CD8 na evolução das doenças cardiovasculares nas pessoas infetadas por VIH

“Transcranial Doppler pulsatility index as a marker of endothelial dysfunction, especially useful when before persistently low CD4+/CD8+ ratios” é o título do e-poster levado ao Congresso HIV Glasgow 2020 por uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. A News Farma falou com o Dr. António Pais de Lacerda, médico internista, diretor do Serviço de Medicina II do Hospital de Santa Maria, CHULN, e autor principal deste trabalho, que, em vídeo, apresentou as conclusões deste estudo. Veja a entrevista.

Vídeo

Este trabalho é sobre a razão entre os linfócitos CD4+ e CD8+, particularmente na “relação mais ou menos fixa que se mantém durante a evolução dos tratamentos do doentes infetados com VIH”, que teve como objetivo “avaliar o que se passa nas artérias cerebrais, mesmo nas artérias mais pequenas, nestas pessoas” e, neste sentido, “perceber que, na realidade, a relação CD4+ e CD8+ é também muito importante para o estado do sistema vascular, avaliado por Doppler intracraniano”, relação esta que, aparentemente (pelo menos nos indivíduos estudados) se mantém praticamente constante apesar da subida do número de linfócitos CD4+, explica o médico.

Através deste procedimento – Doppler – os especialistas conseguem avaliar a elasticidade das artérias dentro do cérebro e conseguiram assim “perceber que quanto mais baixa era a tal relação - mesmo com um número de CD4+ adequado – também a elasticidade cerebral era diferente (com menor elasticidade) , o que é significativo”.

Portanto, tal como afirma o Dr. António Pais de Lacerda, “esta relação pode ser importante na avaliação do estado das artérias cerebrais podendo ter como repercussão os resultados do outro trabalho [“Influence of CD4+/CD8+ ratio on early age of stroke in persons living with HIV: a single university center study in Portugal”], no qual se constatou que as pessoas acabam por vir a sofrer um AVC mais precocemente do que as pessoas não infetadas por este vírus”.

Aferindo a importância dos dois trabalhos submetidos no HIV Glasgow 2020, o especialista destaca o aumento da esperança média da vida, na qual se “deverá dar foco aos fatores de risco das doenças cardiovasculares”. No caso dos doentes infetados por VIH, o médico explica que, no início desta epidemia [VIH], “as pessoas tinham um curto período de vida”, ao contrário do que acontece atualmente: “As pessoas infetadas têm o mesmo tempo de vida”, com a eficácia da medicação antirretroviral.
Por fim, o diretor do Serviço de Medicina II do Hospital de Santa Maria salienta a importância da prevenção das complicações cardiovasculares, que nestes doentes “são semelhantes” às pessoas que não estão infetadas com este vírus, “mas que aparentemente podem ser mais precoces”.

quarta-feira, 07 outubro 2020 17:49
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