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Considerações sobre o switch terapêutico em doentes infetados pelo VIH

Considerações sobre o switch terapêutico em doentes infetados pelo VIH

Por ocasião do simpósio da ViiV Healthcare, que decorreu ontem, dia 6 de outubro, pelas 13h15, a Dr.ª Laura Waters, consultora na área do VIH/GU no Central & North West London NHS Foundation Trust, Mortimer Market Centre, em Londres, apresentou um caso clínico relativo a um homem (MsM), diagnosticado em 2014 aos 45 anos de idade, que teve necessidade de modificar a terapêutica ao longo do curso da infeção por VIH.

O caso clínico trazido para o centro da discussão pela Dr.ª Laura Waters, consultora na área do VIH/GU no Central & North West London NHS Foundation Trust, Mortimer Market Centre, em Londres, é relativo a um homem (MsM), diagnosticado com o VIH em 2014, aos 45 anos de idade. Medicado com ramipril 5 mg (toma diária) por causa da hipertensão arterial (HTA), este doente tinha uma história clínica de depressão e uso de antidepressivos. Trata-se de um homem não fumador e não consumidor de drogas recreativas.

Relativamente às características basais, à data do diagnóstico, a contagem de CD4+ deste doente era de 190 células/mm3, a carga vírica basal de 95.000 cópias/mL. O doente era HLA B*5701 positivo e tinha uma mutação de resistência associada a NNRTI (K103N). Adicionalmente, o doente apresentava um índice de massa corporal de 27 Kg/m2 (categoria de excesso de peso) e um colesterol total ligeiramente elevado (4.5 mmol/L), com um score QRISK DE 4%. 

A terapêutica inicial proposta para este doente foi o esquema composto por darunavir/ritonavir + FTC/TDF (backbone). Após quatro meses de tratamento, apresenta carga vírica indetetável e uma recuperação imunológica (350 células/mm3). Embora estável, o doente reportava sintomas gastrointestinais ligeiros (com uso ocasional de loperamida) e episódios de “humor triste”. Em 2019, verificou-se que havia um declínio da taxa de filtração glomerular estimada (eGFR), com uma descida, em junho de 2019, para 55 mL/min. Nesta altura, o doente queixa-se da frequência e intensidade dos sintomas gastrointestinais, o que implicava maior necessidade da toma de loperamida. Tendo em conta os parâmetros metabólicos, o cálculo do risco com base no score QRISK é de agora 9%.

Com base no declínio da eGFR, e dado que o doente manifestava preferência por um regime de comprimido único, foi proposto o tratamento com elvitegravir/cobicistat/FTC/TAF. Com o início deste regime, o doente reportou melhorias dos sintomas gastrointestinais. Em março de 2020, o doente queixou-se do aumento de peso corporal (+5 Kg após o switch). Relativamente ao perfil lipídico, verificou-se uma subida no colesterol total e triglicéridos, associadamente a um aumento do peso corporal, o que eleva para 12% no risco calculado pelo score QRISK. “Acima dos 10%, recomendamos a introdução de uma estatina, como estratégia de prevenção primária”, acrescentou a Dr.ª Laura Waters, salientando que o doente declinou a abordagem terapêutica com estatinas, aceitando, contudo, a medicação com antidepressivos, devido às queixas relacionadas com o humor triste.

Antes de indicar a opção de tratamento para este doente, a Dr.ª Laura Waters fez uma revisão da literatura, mencionando os resultados do estudo OPERA. Este estudo mostrou que os doentes que transitaram de TDF para TAF tiveram um aumento de peso, independentemente dos restantes agentes que compunham o regime terapêutico. “Antes do switch, registava-se um aumento de peso na ordem dos 0.42 Kg/ano. Nos nove meses imediatamente a seguir ao switch para TAF, este aumento de peso era de 2.64 Kg.”

Os resultados a 96 semanas do estudo TANGO são, agora, apresentados na edição deste ano do HIV Glasgow. Este estudo, que comparou um esquema de tratamento com dolutegravir/3TC versus manutenção do esquema de tratamento baseados em TAF, revelou taxas de supressão virológica ao final de 96 semanas de 85% para DTG/3TC versus 79% para regimes baseados em TAF.

De volta ao caso clínico, a Dr.ª Laura Water adiantou que o doente iniciou tratamento com DTG/3TC e com escitalopram (10 mg/QD) e em setembro de 2020 apresentava carga vírica indetetável, sem reportar quaisquer queixas gastrointestinais. Adicionalmente, verificou-se que os tratamentos antirretrovírico com DTG/3TC e com o antidepressivo escitalopram foram ambos bem tolerados pelo doente. Após uma análise dos parâmetros metabólicos, a Dr.ª Laura Waters referiu que, em setembro de 2020, o QRISK baixou para 8,5%, não sendo, assim, necessário iniciar tratamento com estatinas em prevenção primária. Por último, e tendo em conta que o doente pretendia iniciar antidepressivos, a Dr.ª Laura Waters indicou que os esquemas compostos por DTG/3TC, B/F/TAF, RAL e DOR/3TC/TDF não estão associados a interações medicamentosas com o fármaco antidepressivo escolhido para este doente em concreto: escitalopram.

quarta-feira, 07 outubro 2020 17:58
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